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Medicamentos lideram as intoxicações
08/01/12 03:00 - Geral
Ingestão sem orientação profissional e uso baseado em costumes são as principais causas de ocorrências médicas
Ana Paula Pessoto
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta o Brasil como um dos países que mais consomem analgésico no mundo. Somente em 2010 foram gastos pouco mais de R$ 1,5 bilhão na compra desses medicamentos. E quando ingeridos de maneira incorreta e em doses elevadas, seu uso também pode causar intoxicação.
De maneira geral, Thaís Helena Abrahão Thomaz Queluz, professora de medicina da Unesp de Botucatu e membro do Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos, avalia que um dos principais gastos com saúde no mundo todo está no tratamento de complicações decorrentes do uso de medicamentos.
Uma estudo realizado nos Estados Unidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) revelou que o número de mortes por overdose de analgésicos triplicou de 1990 para 2008. No último ano da pesquisa, foram registradas 14,8 mil mortes, naquele país, por uso abusivo de narcóticos, substâncias derivadas do ópio e que necessitam de prescrição
Dor eventual
Um problema a ser discutido em casa é a ocorrência de dores ocasionais. Segundo Thais Queluz, contudo, algumas dores no corpo ou na cabeça, principalmente as proporcionadas por um longo dia de trabalho ou mesmo um momento de tensão, podem ser resolvidas com um bom banho, sem a necessidade de medicamento e seus riscos inerentes.
Mas quando a dor eventual é intensa, há quem não suporte o incômodo e tire o famoso comprimido “mágico” da bolsa. “Eu não tinha o hábito de tomar analgésico antes de trabalhar no comércio. Nessa época do ano, com as lojas abertas em dias e horários alternativos, sinto dores nas pernas e o analgésico alivia a tensão. Mas só tomo quando a dor está insuportável”, conta a vendedora Ana Letícia dos Santos Justino.
A funcionária pública Vera Lúcia Araújo também passa boa parte do seu dia trabalhando em pé, o que lhe proporciona dores nas costas e nos pés: “Espero passar porque sei que tomar remédios demais faz mal, mas quando a dor é muito aguda, eu recorro a um analgésico”.
A funcionária pública lembra que, certa vez, um médico indicou um remédio para a pressão arterial que lhe causou inchaço pelo corpo todo. “Imagine se tomarmos remédios por conta própria”, preocupa-se.