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Características

  A Sindrome de Williams é uma rara desordem genética frequentemente não diagnosticada. Não é transmitida geneticamente. Não tem causas ambientais, médicas ou influência de fatores psicossocias. Tem impacto sobre diversas áreas do desenvolvimento, incluindo a cognitiva, comportamental e motora. Estimasse que 1 em cada 20.000 crianças nasçam com SW. Foi descrita pela primeira vez em 1960 por um médico neozelandes, Dr. J. C. P. Williams, quando verificou que um grupo de pacientes pediátricos possuiam sintomas parecidos, problemas cardiovasculares, rostos com características semelhantes, atraso mental moderado, dificuldade para ler, escrever e efetuar operações matemáticas. Alguns possuiam extraordinário talento musical com alta noção de ritmo. Afeta tanto homens como mulheres. Podem ocorrer em qualquer lugar do mundo e em qualquer grupo étnico. A maioria das crianças tem grandes dificuldades de alimentação no primeiro ano de vida, incluindo vômitos, recusa de alimentação, podem mostrar grande irritação e chorar excessivamente. Geralmente apresentam uma face característica (descrita como a de um duende): nariz pequeno e empinado, cabelo encaracolado, lábios cheio, dentes pequenos, sorriso freqüente.Podemos encontrar problemas médicos freqüentes como cardíacos, renais e odontológicos. São crianças que precisam urinar com grande freqüencia. Tem problemas de coordenação e equilíbrio e são freqüentemete mais pequenos comparados a alturas de seus pais, no entanto, e geralmente, encontram-se dentro do intervalo normal para a sua idade. As crianças com SW geralmente apresentam um atraso psicomotor mas as suas dificuldades de aprendizagem podem variar entre "handicap"mental ligeiro e severo. Podemos verificar nestes indivíduos um padrão distinto de competências e características comportamentais e de personalidades bastante particulares. De uma maneira geral, ás crianças são muito sociáveis e comunicativas desde a infância embora de uma maneira não-verbal: utilizam as expressões faciais, o contato visual e, eventualmente gestos para comunicar. Começam a falar mais tarde do que o esperado e mostram uma grande variedade no desenvolvimento da linguagem. Começam a utilizar palavras simples e algumas frases, geralmente, por volta dos 18 meses.   Mostram grandes facilidades em aprender canções e rimas infantis, revelando uma boa memória auditiva e sensibilidade musical. No que diz respeito ao desenvolvimento motor, as crianças começam a andar geralmente mais tarde do que o esperado e têm dificuldades motoras (motricidade grosseira e fina) e da coordenação oculo-manual. Assim, podem levar mais tempo para aprender a sentar e a andar e mostram dificuldades em tarefas como andar de bicicletas, abotoar, utilizar tesouras e segurar o lápis. Têm dificuldades na orientação espaço-temporal, na avaliação de distâncias e direções e em tarefas que incluem processamento visual. Características comportamentais e da personalidade Algumas características de personalidade são particularmente comuns nas crianças portadoras de SW: grande sociabilidade; entusiasmo exuberante; grande sensibilidade com as emoções alheias; sentem-se excessivamente a vontade com estranhos; pequeno intervalo de atenção; memória excelente para pessoas, nomes e locais; grande sensibilidade aos sons e ansiedade (especialmente com acontecimentos futuros); medo de alturas, escadas e superfícies irregulares como a areia, tapetes e a relva; preocupação excessiva com determinados assuntos ou objetos. Embora muitas crianças com SW sejam excessivamente amigas com adultos e procuram a companhia destes, podem ao mesmo tempo mostrar dificuldade em fazer e manter amizades com pares da sua idade. As crianças e os adultos com SW são freqüentemente descritos como tendo personalidade ansiosas e com preocupação excessiva sobre a sua pessoa e os outros. Têm freqüentemente problemas de sono e de controle do esfíncter. Muitas são hipersensíveis a uma variedade de sons, como bater palmas ou riso alto, batedeiras, liqüidificadores, máquinas de lavar domésticas, podem mostrar ansiedade e medo quando ouvem ou antecipam estes sons. É claro que todas as crianças são diferentes e nem todas as crianças com SW mostram todas as caracteríticas aqui descritas, e nem com a mesma gravidade. Por isso o acompanhamento de um bom profissional é importante para o melhor desenvolvimento dela em toda sua fase de crescimento e idade adulta também. DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE WILLIAMS Dra. Maria de Lourdes Chauffaille A Síndrome de Williams-Beuren (SW) é uma doença que cursa com alterações vasculares, problemas cardiovasculares, particularmente estenose aórtica supravalvular (ESVA), anomalias do tecido conjuntivo, hipercalcemia e retardo mental, associado a comportamento hipersocial e loquaz. Ocorre em 1 a cada 20.000 nativivos, geralmente de forma esporádica com baixo risco de recorrência. Foi a primeira síndrome onde se descobriu um defeito molecular antes da anormalidade citogenética. Inicialmente, Ewart et al, (1993) associaram a ESVA com o cromossomo 7, mais precisamente ao gene da elastina mapeado na banda 7q11.23. A ESVA está presente em 84% dos pacientes com SW. Em 1995, Nickerson et al, observaram que uma cópia do gene da elastina está deletado em mais de 90% dos pacientes com SW. A proteína da elastina dá elasticidade aos grandes vasos, pulmões, intestinos e pele. Acredita-se que a razão de grande parte das características da SW seja uma diminuição na quantidade de elastina nos tecidos tais como aorta, cordas vocais, pênis e pele levando à ESVA, voz rouca, genitália pequena, face atípica e envelhecimento prematuro. Mas, esta alteração não seria responsável pelos problemas cognitivos ou retardo mental desses pacientes. Portanto, a teoria de que seja uma "síndrome de genes contíguos", isto é, uma condição em que ocorre a deleção de múltiplos genes não relacionados localizados próximos no mesmo cromossomo resultando num fenótipo complexo (Nickerson et al., 1995). A extensão da deleção dentro da banda 7q11.23 não está bem caracterizada, mas os pacientes com SW clássica têm deleção cromossômica maior que 500kb (Frangiskakis et al,1996).Outros genes envolvidos seriam o LIMK1 e RFC2 que deletados seriam responsáveis pelo atraso no desenvolvimento e crescimento. Habitualmente a análise citogenética do sangue periférico na SW não mostra deleção no cromossomo 7 já que seu limite de resolução é de 1Mb e o pequeno fragmento deletado é de 500kb. Assim para se fazer o diagnóstico é recomendado a hibridação fluorescente in situ (FISH) usando sonda para o gene da elastina. Trata-se de método rápido e confiável para confirmar uma suspeita clínica. Uma pequena porcentagem dos pacientes com SW (5 a 10%), no entanto, não apresentam a deleção da elastina indicando que a presença de duas cópias do locus da elastina não afasta o diagnóstico. Cerca de 70% das deleções se origina na meiose dos pais como resultado de erros de recombinação entre dois homólogos do cromossomo 7. As demais decorrem de rearranjos intracromossômicos entre cromátides irmãs (Dutly e Schnitzel,1996). Sinal vermelho refere-se ao gene da Elastina, deletado neste caso de S. de Williams. O sinal verde refere-se a marcador do cromossomo 7. Veja que nas interfases aparecem dois sinais verdes (cromossomo 7) e apenas um vermelho.   Referências Bibliográficas: 1. Ewart AK; Morris,CA; Ensing,GJ; Loker,J; Moore,C; Leppert,M; Keating,M: A human vascular disorder, supravalvular aortic stenosis, maps to chromosome 7. Porc Natl Acad Sci USA 90:3226-30, 1993.2. Nickerson,E; Greenberg,F; Keating,MT; McCaskill,C; Shaffer,LG;: deletions of the elastin gene at 7q11.23 occur in ~90% of patients with Williams Syndrome. Am J Hum Genet 56:1156-61,1995.3. Frangiskakis JM; Ewart,AK; Morris,CA; Mervis,CB; Bertrand,J; Robinson,BF; Klein,BP; Ensing,GJ; Everett,LA; GreenED; Proschel,C; Gutowski,NJ; Noble,M; atkinson,DL; odelberg,SJ; Keating,MT: Lim-kinase hemizigosity implicated in impaired visuospatial constructive cognition. Cell 86:59-69, 1996.4. Dutly, F e Schnitzel A: Unequal interchromosomal rearrangements may result in elastin gene deletions causing Williams Beuren syndrome. Hum Mol Genet 12:1893-98, 1993. Todos os direitos reservados. Proibida a cópia, impressão e divulgação com outra finalidade que não o uso pessoal.Atualizado em abril/2000 -Copyright © 2001 Laboratório Fleury

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Hiperatividade

Pessoas com SW geralmente são hiperativas. Segue uma reportagem técnica dirigida principalmente a psiquiatras e professores, mas é interessante que pais tenham este conhecimento também pois assim poderão entender que o comportamento "elétrico" de seu filho é uma disfunção cerebral que pode ser tratada TRANSTORNO POR HIPERATIVIDADE(CRIANÇA HIPERCINÉTICA, DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA, TRANSTORNOS DISRUPTIVOS) Escrito por Geraldo J. Ballone É relativamente recente o interesse da psiquiatria por este distúrbio do desenvolvimento infantil e as primeiras observações que alinhavaram o quadro foram feitas por Dupré, em 1913. Em 1947, o assunto foi retomado por Strauss e Lehtinen sob a inadequada denominação de Lesão Cerebral Mínima. Em 1962, um simpósio realizado em Oxford oficializou esta patologia sob o nome de Disfunção Cerebral Mínima, tendo em vista a ausência de elementos anatomopatológicos para que justificar o antigo termo "lesão"(12). Em 1968, Paine reconhecia a Disfunção Cerebral Mínima (DCM) como a mais comum afecção emocional em crianças, estimando uma incidência de 5 a 10% na população infantil geral e, também, como a maior responsável pelos problemas de aprendizagem, de comportamento ou pelos discretos desvios do funcionamento do sistema nervoso central(13). No DSM-IV a Disfunção Cerebral Mínima aparece no capítulo dos Transtornos Diagnosticados na Infância e, dentro destes, nos Transtornos da Atenção e Comportamento Disruptivo sob a denominação de Distúrbio de Déficit de Atenção por Hiperatividade(8). No CID-10 o quadro recebe o nome de Transtorno Hipercinético, código F90. Esta subclasse de distúrbios é caracterizada pelo comportamento social disruptivo e é, freqüentemente, mais penoso para outros do que para as próprias pessoas com o distúrbio. Segundo a CID-10, esses transtornos se caracterizam por início precoce e por uma combinação de um comportamento hiperativo com desatenção marcante e grande distraibilidade. Na infância precoce o sintoma mais evidente é a hiperatividade desinibida e pobremente organizada mas que, na adolescência, pode ser substituída por diminuição da atividade. O retardo no desenvolvimento de habilidades específicas freqüentemente estão associadas à Hiperatividade e são comuns os relacionamentos inter-sociais perturbados e pobres(9). Todos autores reconhecem, entretanto, que o convívio com estas crianças é demasiadamente penoso; elas são verdadeiras experts em despertar a impaciência nos circundantes. A característica essencial do Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e de sintomas hiperativo-impulsivos causadores de prejuízo social, familiar e escolar que aparece antes dos 7 anos. Como critério apontado pelo DSM.IV para este diagnóstico deve estar presente algum prejuízo, seja familiar, social ou escolar. A desatenção manifesta-se em qualquer situação, seja ela na escola, nas atividades e tarefas domésticas ou mesmo no ambiente social da criança. Tendo em vista o fato destas crianças não prestarem muita atenção a detalhes, elas acabam cometendo erros simples e grosseiros nos trabalhos escolares e será este o motivo pelo qual a produtividade se encontra prejudicada. As atividades, tanto escolares quanto de lazer, freqüentemente são confusas e realizadas de maneira estabanada, resultando muitas vezes em objetos quebrados, rasuras e outros tipos de imperfeição. A inquietação dessas crianças torna difícil a persistência em tarefas até seu término. Elas podem iniciar uma tarefa, passar para outra, depois voltar a atenção para outra coisa antes de completarem qualquer uma de suas incumbências. Freqüentemente dão a impressão de estarem com a mente em outro local, ou de não escutarem o que está sendo dito. Devido à desatenção estes pacientes freqüentemente não atendem a solicitações ou instruções ou, quando fazem, realizam as incumbências de maneira falha ou incompleta. A impaciência dessas crianças faz com que as tarefas que exigem algum esforço mental sejam consideradas como desagradáveis e acentuadamente tediosas, conseqüentemente, elas acabam evitando as atividades que exigem dedicação, atenção, organização ou concentração. Estes pacientes são facilmente distraídos por estímulos irrelevantes e, habitualmente, acabam interrompendo tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais, normalmente ignorados por outras crianças. A maneira de realizar tarefas comumente é desorganizada e os materiais necessários para a realização das mesmas costumam estar espalhados, perdidos, manuseados com descuido ou danificados. Devido à tudo isso, estas crianças hipercinéticas se esquecem de compromissos marcados, esquecem de levar o lanche para a escola, esquecem o que foram buscar na cozinha, etc. Enfim, costumam ser rotuladas como as "desligadas" da família. Na vida comunitária e/ou nas situações de grupo, a desatenção pode proporcionar freqüentes mudanças de assunto, falta de atenção ao que os companheiros dizem, distração durante as atividades de cooperação grupal e falta de atenção a detalhes e regras em jogos ou atividades. À inspecção notamos a hiperatividade diante da inquietação do paciente ou na maneira como ele se remexe na cadeira. Isso reflete a grande dificuldade dos pacientes em permanecerem sentados. Eles se levantam com freqüência e se remexem ou se sentam na beira da cadeira, prontas para se levantarem novamente. Manuseiam objetos inquietamente, batem com as mãos e balançam pernas e braços excessivamente. Os bebês e pré-escolares com este transtorno diferem de crianças normais por estarem constantemente irrequietos e envolvidos com tudo à sua volta. Eles costumam andar para lá e para cá, movem-se "mais rápido que a sombra", sobem e escalam móveis. Em casa estas crianças costumam abandonar a mesa durante as refeições, passam a assistir televisão e fazer os deveres de casa simultaneamente; falam em excesso e podem fazer ruídos demasiados durante atividades tranqüilas. Em adolescentes e adultos, os sintomas de hiperatividade assumem a forma de inquietação e dificuldade para envolver-se em atividades tranqüilas e sedentárias. Outra característica da Hiperatividade é a impulsividade. Esta impulsividade se manifesta como impaciência, dificuldade para protelar atitudes, respostas precipitadas às perguntas, antes mesmo delas terem sido formuladas completamente, dificuldade para aguardar sua vez em filas e interrupção freqüente nos assuntos de outros. Não é raro que estes indivíduos façam comentários inoportunos, interrompam os outros, metam-se em assuntos alheios, agarrem objetos de outros, peguem coisas que não deveriam tocar e façam palhaçadas. A impulsividade pode proporcionar acidentes tais como, derrubar objetos, colidir com pessoas, manusear inadvertidamente uma panela quente e envolver-se em atividades potencialmente perigosas. É importante o aspecto relativamente flutuante do transtorno: há situações de exacerbação e de acalmia da hiperatividade. O quadro tende a piorar em situações que exigem atenção ou esforço mental ou que não possuam um aspecto de novidade. Escutar professores, realizar deveres escolares, escutar ou ler materiais extensos ou trabalhar em tarefas monótonas e repetitivas podem ser significativamente agravantes. Por outro lado, os sinais do transtorno podem ser minimizados quando a criança se encontra sob um controle rígido, quando o contexto tem aspectos de novidade, quando se envolve em atividades interessantes, em ambientes de poucas pessoas ou enquanto recebe recompensas por um comportamento apropriado. A hiperatividade reflete uma inquietação excessiva, principalmente em determinadas situações que requerem calma e serenidade. São bastante desinibidas no relacionamento social, imprudentes em situações que envolvem o perigo, intrometidas, zombeteiras e quase nunca esperam sua vez nas convenções socialmente estabelecidas. Como conseqüência de tudo isso, de toda esta tormenta comportamental erroneamente referida pelos avos como vivacidade, inteligência ou outro adjetivo dissimulador, a criança hipercinética não consegue performance satisfatória no aprendizado escolar e, normalmente, nesta fase a família recorre à profissionais especializados. SINTOMAS A Síndrome Hipercinética da Infância é uma situação clínica muito característica e, se bem observada, dificilmente deixa alguma margem de dúvida. Considerá-la uma manifestação primária ou secundária a algum transtorno afetivo, entretanto, já é uma outra questão e merece reflexão mais profunda. Podemos considerar a constelação sintomática da seguinte maneira: a) distúrbios neurológicosb) distúrbios da inteligênciac) distúrbios do comportamentod) distúrbios escolarese) características afetivas A - DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOSUm dos sintomas neurológicos é a incoordenação, denominada por alguns autores como Dispraxia, a qual consiste na sinergia imatura dos músculos agonistas e antagonistas. Na Síndrome Hipercinética da Infância este déficit de amadurecimento pode ser constatado pelo atraso da manobra index-nariz e pelo sinal de Romberg. Aos 3 anos uma criança normal tem sinergia suficientemente desenvolvida para manter-se na posição de Romberg e para fazer a manobra index-nariz com olhos abertos. Aos 4 anos poder fazer esta mesma manobra com os olhos fechados. Na Hipercinesia estas manobras poderão estar atrasadas. Também podemos constatar uma certa incapacidade da criança hipercinética manter-se, durante um certo tempo, numa posição assumida. Isso caracteriza a chamada Impersistência Motora, responsável pela dificuldade em manter-se sentada, mais ou menos quieta num lugar, numa fila, ou aguardando sua vez num jogo infantil, etc. Esta Impersistência Motora, juntamente com a dispraxia, fazem com que os objetos ao redor do paciente estejam em constante risco e permanente perigo. Lefréve cita a denominação de Wender: "L'infant King Kong"(12). Outro distúrbio neurológico diz respeito à fala. Os distúrbios da fala são considerados típicos da Disfunção Cerebral Mínima e, entre os mais observados, estão em ordem decrescente de freqüência: dislalia, taquilalia e tartamudez. Trata-se, respectivamente, de dificuldade na articulação de palavras (notadamente o L e R), velocidade da fala acelerada e gagueira. A criança normal não deve ter problemas de articulação de palavras depois de completados os 4 anos, portanto, uma dislalia observada depois desta idade deve sugerir uma Síndrome Hipercinética como hipótese bastante viável. As alterações no EEG observados nos trabalhos de Lefévre (48%) são perfeitamente compatíveis com os resultados encontrados por Richardson em 1968, o qual observou 50% de traçados anormais. Entre estas manifestações eletrencefatográficas associadas à hipercinesia, aproximadamente metade delas diz respeito à foco irritativo e metade com anormalidades menores. Em relação aos achados eletrencefalográficos, Lefévre refere que 48% de 100 pacientes estudados mostraram alterações. Destes, 25% apresentavam alguma manifestação clínica epiléptica e 23% não manifestaram qualquer forma de epilepsia. Relacionou as manifestações epileptiformes da seguinte maneira: DISTRIBUIÇÃO DE 29 TIPOS DE MANIFESTAÇÕES EPILÉPTICAS EM 25 CRIANÇAS HIPERATIVAS(12)MANIFESTAÇÃO FREQÜÊNCIA (%)Convulsiva Generalizada 48,33Psicomotoras 10,34Abdominais 6,89Terror Noturno 6,89Convulsão Febril 6,89Pequeno Mal (ausência) 6,89Focal 6,89 Sonambulismo 3,44Aversiva 3,44TOTAL 100,00 B- DISTÚRBIOS DE INTELIGÊNCIAAs dificuldades escolares devido ao prejuízo da atenção, aos distúrbios cognitivos e a um conjunto de dificulda-des relacionais próprias destes pacientes, freqüentemente simulam um falso comprometimento da inteligência na Síndrome Hipercinética de Infância. Para tranqüilidade dos avós, segundo pesquisas(12), o Q.I. das crianças hipercinéticas pode ser considerado normal, variando entre 81 e 136, com uma média de 102,45. Não é raro encontrarmos crianças portadoras de Hiperatividade erroneamente diagnosticadas como Deficientes Mentais, afastadas da escola e colocadas numa posição de completa exclusão dentro do esquema familiar. Depois de diagnosticadas e tratadas apresentam um fantástico rendimento intelectual. C - DISTÚRBIOS DE COMPORTAMENTOUma criança hipercinética sempre faz parte de um contexto familiar de sintomas comportamentais. Normalmente os pais têm uma atitude oscilando entre a extrema rigidez, a extrema tolerância e a extrema indiferença: como se a cada dia tentassem uma postura diferente para tentar melhorar a situação, quer por iniciativa própria, quer por esgotamento, quer ainda, por desesperança. Os irmãos, normalmente, rejeitam o inábil nos esportes, o quebrador de coisas e o mau aluno. Se procuram um psiquiatra, normalmente fazem isso como represália contra o filho agitado, exibicionista e que procura chamar atenção sobre si. Só depois de esclarecidos passam a compreender o caráter mórbido do comportamento do paciente, entendendo-o como doente e não como um voluntário executor da ficção behaviorista. O comportamento geral do Hipercinético mostra uma criança hiperativa, desatenciosa, desajeitada, com tendência ao sinistro, parecendo não entender e, o que é pior, não querer entender, sempre se machuca e machuca os outros, sente pouca dor, não tolera esperar, não senta, pisa nos pés de todos e incomoda todo mundo. D- DISTÚRBIOS ESCOLARESAté não ser colocado em risco a glória da produtividade pessoal, representada pelo rendimento escolar da criança e absolutamente imprescindível hoje em dia, os pais contornam a situação considerando a criança travessa, traquina, temperamental, geniosa ou coisas do tipo. Arriscam um psicólogo vez ou outra, desculpam-se diante dos amigos em visitas sociais, levam as roupinhas para benzer. Quando a professora manda chamá-los e alerta sobre este pequeno "probleminha" da criança, ainda tentam verificar se o defeito não é da professora. Esgotadas todas as possibilidades de vislumbrar no Hipercinético uma sutil variação do normal ou uma pequena excentricidade, perfeitamente normal no entender dos avos, resolvem buscar auxílio terapêutico especializado. Os problemas escolares dizem respeito ao aprendizado, ao comportamento dentro da sala, ao relacionamento interpessoal, à postura nos jogos infantis e à observância das normas sociais. O rendimento escolar é severamente prejudicado pela dificuldade do Hipercinético em dispensar a devida atenção aos estímulos pedagógicos; ele se distrai com muita facilidade. A maneira de ser desajeitada e espelotiada faz com do relacionamento interpessoal algo desastroso e difícil. Por outro lado, a baixa tolerância à frustração torna os jogos infantis impossíveis. Dentro de pouco tempo todos, professores e colegas, ficarão aliviados se os pais do paciente providenciarem sua retirada da escola. Às vezes esta iniciativa é executada com tanto anseio pela comunidade escolar que, não raro, seja necessário considerá-lo falsamente deficiente mental como justificativa para procurar-se outro tipo de escola. Não há a mínima necessidade de escola especial para hipercinéticos, desde que tratados devidamente. É comum as professoras dividirem a trajetória escolar destes pacientes em dois períodos: antes do tratamento e depois do tratamento. E- CARACTERÍSTICAS AFETIVASPredominam nos hipercinéticos as reações afetivas imaturas, as dificuldades adaptativas, a hiperemotividade, o envolvimento afetivo intenso e a sensibilidade exagerada. Em conseqüência, podem desenvolver reações de irritabilidade, explosividade e agressividade. Geralmente há evidências de ansiedade básica, difusa e de caráter orgânico(3). Manifestam uma baixa auto-estima, humor lábil, baixa tolerância à frustração(8), enfim todos estes são sinais sugestivos de depressão emocional. Tal suspeita cristaliza-se mais ainda quando observamos a fascinante melhora do quadro com os antidepressivos. FREQÜÊNCIA DAS QUEIXAS QUE MOTIVARAM O HIPERATIVO PROCURAR TRATAMENTO(12) QUEIXA PRINCIPALFREQÜÊNCIA (%)Dificuldade Escolar 41,18Distúrbio do Comportamento 31,09Instabilidade -Hiperatividade 11,76Distúrbios Motores 10,09Retardo na Fala 5,88TOTAL 100,00 A constatação sobre hipercinéticos os quais, depois de adolescentes, tenderam à apatia e à hipocinesia também pode sugerir um colorido depressivo da doença. Esta depressão, conforme dissemos antes, manifesta-se atipicamente e mediante inusitados mecanismos de defesa na infância. Kaplan reconhece a depressão no Hipercinético, porém, vê neste distúrbio afetivo um caráter secundário à estigmatização e ao reconhecimento próprio das dificuldades adaptativas. Tal raciocínio também deve ser considerado. Em nossa opinião, não se deve dispensar a hipótese da criança hiperativa ser um depressivo endógeno o qual, contra seu sentimento de depressão, de insegurança, de baixa auto-estima e de frustração, desenvolve a hipercinesia como uma espécie de mecanismo de defesa. Finalizando, os aspectos clínicos mais freqüentemente citados são, em ordem de freqüência: 1- hiperatividade;2- prejuízo motor;3- labilidade emocional;4- déficit geral de coordenação;5- perturbação da atenção;6- impulsividade;7- perturbação de memória;8- dificuldade de aprendizado;9- perturbação da fala;10- alterações eletroencefalográficas. (3) CAUSASA maioria das crianças hipercinéticas não apresenta evidências de alterações estruturais do sistema nervoso central, porém, tendo em vista a incidência maior de intercorrências peri-natais, há possibilidades de que tais alterações sejam muito sutis para a constatação em exames convencionais. É possível a existência de dano cerebral mínimo conseqüente à transtornos tóxicos, metabólicos ou mecânicos durante o período fetal ou peri-natal(3). O fator genético é freqüentemente citado, tendo em vista a incidência de concordância da doença em membros de uma mesma família, assim como, também, a ocorrência de hiperatividade em filhos de mães disléxicas ou irmãos de disléxicos. Na década de 70 ventilou-se a hipótese bioquímica para este distúrbio, principalmente na esfera das catecolaminas. Além do fato das anfetaminas alterarem a atuação da noradrenalina e dopamina e, concomitantemente, de serem eficazes no tratamento da hipercinesia, não foi verificada nenhuma outra evidência comprobatória da hipótese.Em relação aos elementos psicossociais parece haver uma incidência maior de criança hiperativas em instituições substitutivas de lares, relacionando-as assim, aos transtornos decorrentes do abandono e conseqüente privação afetiva. Tal possibilidade reforça a idéia sobre uma participação causal mais direta dos estados depressivos na gênese da Hiperatividade Infantil. PROGNÓSTICOHá uma reconhecida tendência à melhora do quadro em conseqüência da maturação progressiva e fisiológica das estruturas do sistema nervoso central(12). Segundo alguns, a remissão não é provável antes dos 12 anos e, se ocorrer, será entre os 12 e 20 anos(3), entretanto, nesta ocasião o prejuízo social e ocupacional decorrente das dificuldades adaptativas e de aprendizagem poderão resultar em sério atraso. Vem daí a necessidade imperiosa para o tratamento precoce. Em aproximadamente 15 a 20% dos casos alguns sintomas, tais como, a tendência aos acidentes, a impulsividade, distúrbios anti-sociais e do humor podem persistir até a idade adulta. A hiperatividade é o primeiro sintoma a desaparecer e a desatenção o último. A Hiperatividade Infantil, ou Síndrome Hipercinética da Infância ou, simplesmente, o Transtorno Hipercinético, deve ser compreendido à luz da psicopatologia como uma entidade mórbida, um distúrbio disruptivo do desenvolvimento capaz de resultar em severo prejuízo adaptativo presente e futuro na vida do paciente. Não se trata de um transtorno primário do comportamento, passível de abordagem exclusivamente comportamental ou de adulações psicodinâmicas esdrúxulas e morosas. Trata-se de uma patologia muito bem caracterizada, para a qual existe um tratamento psiquiátrico específico e muito bem definido a ser instituído sem perda de tempo e, felizmente, com resultados evidentes e positivos. O nível sócio-cultural dos pais pode influir decididamente no prognóstico deste distúrbio; pode ajudar favorecendo ao paciente uma oportunidade de tratamento médico com objetivo de minimizar as limitações impostas pela doença mas pode, por outro lado, negligenciar esta possibilidade. Há falta grave e omissão médica quando a família se deixa seduzir por excentricidades alternativas e, com isso, acaba recusando ou protelando demasiadamente o tratamento médico especializado. Parte integrante de PsiqWebBALLONE, G J - Psiquiatria Infantil, in. PsqWeb, programa de Psiquiatria Clínica na Internet,Campinas, SP, 1999.

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Livro de Visita

  • 25/03/2014 por Ruth Alves Carrel de Jundiai/SP - Brasil

    oi, sou mãe do Paulo Victor Carrel com 9 anos, descobri que ele tem SW faz 1 mês, gostaria de me comunicar com outras mães,e poder entender melhor para ajuda-lo, obrigada!! email- ruthcarrel@hotmail.com...

  • 07/01/2014 por meire de brasilia/DF - df

    Eu tbem tenho um bb q tem 2ano e 03meses quero traca experiencia com outras mae meu mail meiry-farias@hotmail.com...

  • 28/11/2013 por Marilene de Betim/MG - Brasil

    Meu nome é Marilene sou professor de apoio, mas não fico só nisso, faço muitos cursos, para que a cada dia eu obtenha mais conhecimentos e com isso desenvolver atividades de acordo com a necessidade do aluno.Também to cursando pedagogia assim poderei futuramente trabalhar melhor com a questão da inclusão e esse é meu objetivo. Gosto também de trocar experiencias tenho uma pagina o facebook quem quiser me localizar é só busca meu nome de acesso Lene Libras....

  • 03/09/2013 por Rosana de São Paulo/SP - Brasil

    Tenho uma filha de 11 anos com SW. Gostaria de dividir um método utilizado por fonoaudiólogas que desempenha um papel muito importante para o desenvolvimento de nossas crianças. Trata-se do método Padovan. Vocês podem buscar profissionais que trabalhem com esse método. O link para maiores informações é http://metodopadovan.com.br/centres_de_formation.html...

  • 27/07/2013 por angela de campo grande/ms - brasil

    Sr Alceu Silvério de Moraes, meu e-mail é angela_magoga@hotmail.com e está semana saiu o resultado da minha filha de 4 anos, deu positivo. Gostaria de trocar experiência. ...

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